Em meio ao turbilhão tecnológico que foi o final de 2007, quando o mundo dos games dava seus primeiros passos firmes na sétima geração de consoles, surgiu um jogo que prometia ser o divisor de águas na história do futebol digital. O nome era conhecido, quase reverenciado: Pro Evolution Soccer. Mas aquele capítulo específico, PES 2008, seria lembrado de forma diferente. Não apenas pelos avanços que tentou trazer, mas também pelos tropeços que cometeu. E foi justamente essa dualidade que fez dele um dos jogos mais discutidos da série.
A história de PES 2008 começa com uma promessa ousada. A Konami havia conquistado uma legião de fãs com títulos consagrados como PES 5 e PES 6, e agora, com a estreia no PlayStation 3 e no Xbox 360, o estúdio japonês prometia entregar a experiência de futebol mais realista de todos os tempos. Os trailers impressionavam. As revistas especializadas apostavam alto. E os fãs? Eles esperavam um salto. Mas nem todo salto é para frente.
A Primeira Partida Nunca se Esquece
O dia em que coloquei minhas mãos em PES 2008 parecia um marco. A capa europeia mostrava Cristiano Ronaldo, então em ascensão meteórica no Manchester United, pronto para tomar o mundo. Era simbólico. Um novo craque, uma nova era, um novo jogo.
Liguei o console e fui direto para um amistoso. Barcelona contra Milan. Era o confronto dos sonhos: Ronaldinho, Messi e Eto’o contra Kaká, Pirlo e Maldini. Mas assim que a bola rolou, algo parecia… diferente. Os gráficos estavam mais bonitos, sim. A iluminação era visivelmente superior. Mas os jogadores pareciam menos ágeis, e a resposta dos comandos, mais lenta. Ainda era Pro Evolution, mas com um peso estranho. Como se vestisse uma roupa nova que ainda não havia sido ajustada.
Teamvision: A Promessa da Revolução Tática
Talvez o maior destaque técnico de PES 2008 tenha sido a introdução do sistema de inteligência artificial chamado Teamvision. A proposta era fascinante: o jogo aprenderia o seu estilo à medida que você jogasse. Se você insistisse em jogar pelas laterais, o adversário virtual começaria a fechar esses espaços. Se abusasse de lançamentos longos, a zaga se posicionaria melhor.
Era o tipo de inovação que ativava o gatilho da curiosidade — a ideia de que cada partida seria única, porque o jogo estava se adaptando a você.
E, de fato, havia momentos em que o Teamvision parecia brilhar. A defesa rival começava a marcar mais em cima. Os atacantes adversários se movimentavam melhor. Mas o sistema também apresentava inconsistências, como marcações que vacilavam em momentos decisivos ou goleiros que erravam lances fáceis. O sonho de um futebol “inteligente” ainda não estava totalmente pronto para os holofotes.
A Estreia na Nova Geração: Gráficos Bonitos, Jogabilidade Conturbada
A chegada do PES 2008 à nova geração — especialmente no PlayStation 3 — foi um momento histórico para a franquia. Pela primeira vez, os torcedores do futebol digital veriam seus ídolos em alta definição, com mais detalhes nos rostos, camisas que ondulavam com o vento e gramados mais vibrantes.
Mas a transição teve seu preço. A versão de PS3 sofreu com problemas graves de desempenho, como quedas de frame rate, input lag e animações quebradas. No PC, os jogadores receberam uma versão que basicamente reaproveitava o motor gráfico do PlayStation 2, frustrando quem esperava algo mais moderno.
Esse contraste ativava um gatilho de expectativa x realidade. Afinal, a promessa era de avanço, mas a execução estava aquém do desejado.
A Jogabilidade Dividiu Opiniões
PES sempre foi sinônimo de jogabilidade refinada. Cada toque na bola, cada passe milimétrico, cada drible bem-sucedido era uma pequena dose de dopamina. Em PES 2008, a física da bola foi retrabalhada, os chutes pareciam mais naturais e os dribles mais soltos — o que em teoria era uma boa notícia.
Mas na prática, muitos jogadores sentiram que a resposta dos comandos estava menos precisa, e que a fluidez do jogo acabava comprometida por uma movimentação mais “truncada”. Era como se o jogo tentasse ser mais realista, mas perdesse parte da magia de suas versões anteriores.
Licenciamento Limitado e o Poder da Comunidade
Como era tradição na época, PES 2008 chegou com licenças parciais. Algumas ligas estavam completas, como a Serie A italiana. Clubes como Arsenal e Liverpool estavam licenciados, mas a Premier League, La Liga e Bundesliga seguiam com nomes e escudos genéricos.
Isso, porém, nunca foi um obstáculo intransponível. Pelo contrário: ativava o gatilho do pertencimento, pois os fãs da série sabiam que parte da experiência era personalizar o jogo. Editores de uniformes, escudos, patches e fóruns especializados tornaram-se ferramentas essenciais para quem queria jogar com times atualizados.
O PC, especialmente, era um verdadeiro laboratório criativo. A cada nova temporada, a comunidade criava versões com elencos atualizados, novas narrações e até estádios reconstruídos. PES 2008 foi um dos mais modificados da série.
Modos de Jogo: Clássicos que Não Envelhecem
PES 2008 manteve os modos de jogo que já eram tradição:
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Exhibition (amistoso)
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Master League
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Ligas e Copas personalizáveis
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Modo treino
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Multiplayer local e online
A Master League, mais uma vez, foi o coração do jogo. A jornada de pegar um time fictício cheio de jogadores genéricos e transformá-lo em uma potência mundial continuava tão viciante quanto sempre. Era aqui que se ativava o gatilho da progressão: cada vitória, cada contratação, cada promoção para divisão superior fazia o jogador sentir que estava escrevendo sua própria história.
Já o modo online, embora promissor, sofria com instabilidade e lag, o que limitou bastante seu sucesso na época.
A Trilha Sonora e a Apresentação
A trilha sonora de PES 2008 mantinha o estilo minimalista da franquia, com músicas licenciadas mais discretas e focadas em criar uma ambientação neutra para os menus. A narração, em inglês, seguia com Jon Champion e Mark Lawrenson, dupla que já era familiar aos fãs da série.
A interface do jogo foi redesenhada, buscando ser mais moderna. No entanto, para muitos fãs, essa nova estética parecia menos intuitiva do que os menus simples e diretos dos títulos anteriores.
Recepção: Entre o Amor e a Frustração
PES 2008 teve uma recepção mista. A crítica reconheceu as tentativas de inovação, especialmente com o sistema Teamvision, mas criticou duramente os problemas técnicos nas versões de PS3 e PC.
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IGN: 6.5/10
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GameSpot: 7.0/10
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Metacritic (PS3): 62/100
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Metacritic (PS2): 78/100
O veredito foi claro: PES 2008 não era um jogo ruim. Mas estava longe do brilho de seus antecessores. Para muitos, foi um capítulo necessário — ainda que doloroso — no processo de evolução da série.
O Legado de PES 2008
Hoje, olhando em retrospecto, PES 2008 é visto como um jogo de transição. Um título que tentou abraçar o futuro antes da hora certa. Ele abriu caminho para experimentações que seriam refinadas nos anos seguintes, como o sistema tático dinâmico e a evolução visual da série.
Para quem jogou PES 2008 em sua época, ele deixou marcas. Marcas de frustração, sim, mas também de aprendizado. Foi ali que muitos perceberam que nem toda inovação chega pronta, e que o futebol — seja nos gramados reais ou digitais — exige tempo, equilíbrio e maturação.
E mesmo com todos os seus defeitos, PES 2008 ainda carrega algo que poucos jogos conseguem manter: identidade. Ele tentou algo novo, arriscou, e por isso mesmo, merece um lugar especial na memória dos fãs.
REVIVA O PES 2008 NO VÍDEO ABAIXO:
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